Lucy in the Sky with Diamonds, (LSD)“Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo.”(Nietzche)       Se Deus realmente existe, creio eu numa força cognitiva que move montanhas. Deus não reprime sexo, não reprime amor, personalidades nem menções em vão. A repressão encolhe o ser e o porquê de ser, acabrunha desejos e faz deles uma eterna ilusão. Ela não corrige imperfeições e não usa de anistia, não fundamenta propósitos nem perspectivas. Deus, tenho-o para mim como uma energia, talvez vermelha como o amor, branca como a paz ou verde como a natureza, e esta prega total igualdade aos seres, tanto humanos quanto instintivos. Não divide-os em ricos, pobres, animais, bonitos, feios, gordos, magros, burros, inteligentes, sinceros, tímidos, espontâneos, grandes, pequenos, hetero ou homossexuais, vertebrados ou invertebrados, somos todos uma grande massa denominada VIDA, que tem total direito de respeito e tranquilidade. Prega que qualquer crença é um suspiro a mais de diversidade, dando à algumas, certa luminosidade especial. Àquelas, que estão dispostas a enraizar em si a grandeza, a delícia e o sabor de estar vivo, e por outro lado, procuram compreender a morte. Aos homens que alimentam-se de conhecimento, sabedoria e evolução da própria vivência, reconhecendo que esta às vezes regride necessariamente para que possa revigorar-se, aos que o percalço material é complemento e não uma razão compulsiva de existência. Se Deus, Krishna, Alá, Zeus, ou seja lá que invisível concretismo de perfeição e sensibilidade nos orienta sutilmente, este é modesto, basta dar-mo-nos de corpo e alma ao que acreditamos e sermos verdadeiros e profundos em atitudes e pensamentos para sermos considerados bons seres, sejamos nós pura razão ou pura emoção. Basta sermos solidários, estender as mãos e atentar-se para a situação do outro, seja ela de sofrimento ou satisfação. Basta reconhecer que não somos criaturas rematadas e completas, porém divinas e bonitas, e que há o dia de amanhã desde que não seja esquecido o ontem.        Acima de tudo, Deus não cala o pranto de ninguém e não entrega-nos prontas soluções. Põe à frente de qualquer um subjetivas tempestades para sabermos nos secar e quentíssimos sóis que devemos nomear oportunidade de coragem.        Leia o livro Universo em Desencanto. 


L
ucy in the Sky with Diamonds, (LSD)

“Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo.”
(Nietzche)

       Se Deus realmente existe, creio eu numa força cognitiva que move montanhas. Deus não reprime sexo, não reprime amor, personalidades nem menções em vão. A repressão encolhe o ser e o porquê de ser, acabrunha desejos e faz deles uma eterna ilusão. Ela não corrige imperfeições e não usa de anistia, não fundamenta propósitos nem perspectivas. Deus, tenho-o para mim como uma energia, talvez vermelha como o amor, branca como a paz ou verde como a natureza, e esta prega total igualdade aos seres, tanto humanos quanto instintivos. Não divide-os em ricos, pobres, animais, bonitos, feios, gordos, magros, burros, inteligentes, sinceros, tímidos, espontâneos, grandes, pequenos, hetero ou homossexuais, vertebrados ou invertebrados, somos todos uma grande massa denominada VIDA, que tem total direito de respeito e tranquilidade. Prega que qualquer crença é um suspiro a mais de diversidade, dando à algumas, certa luminosidade especial. Àquelas, que estão dispostas a enraizar em si a grandeza, a delícia e o sabor de estar vivo, e por outro lado, procuram compreender a morte. Aos homens que alimentam-se de conhecimento, sabedoria e evolução da própria vivência, reconhecendo que esta às vezes regride necessariamente para que possa revigorar-se, aos que o percalço material é complemento e não uma razão compulsiva de existência. Se Deus, Krishna, Alá, Zeus, ou seja lá que invisível concretismo de perfeição e sensibilidade nos orienta sutilmente, este é modesto, basta dar-mo-nos de corpo e alma ao que acreditamos e sermos verdadeiros e profundos em atitudes e pensamentos para sermos considerados bons seres, sejamos nós pura razão ou pura emoção. Basta sermos solidários, estender as mãos e atentar-se para a situação do outro, seja ela de sofrimento ou satisfação. Basta reconhecer que não somos criaturas rematadas e completas, porém divinas e bonitas, e que há o dia de amanhã desde que não seja esquecido o ontem. 
       Acima de tudo, Deus não cala o pranto de ninguém e não entrega-nos prontas soluções. Põe à frente de qualquer um subjetivas tempestades para sabermos nos secar e quentíssimos sóis que devemos nomear oportunidade de coragem.  
     Leia o livro Universo em Desencanto. 


O magma do instante-escape
é o escopo da reminiscência
e este 
desmaterializa meus presságios
em moinhos de resistência.
Num agudo sobressalto torno-me um ser flácido de lástimas e pétalas  
sou a bebida que o amanhã entorna,
sou a mais íntima relatividade dos anjos,
sou menina excessiva que desafina a sinfonia, 
que peregrina a singularidade, 
e no tempo exato, 
estupra o sexo da própria ingenuidade. 

Indecisão Taurina

     O que esperas que eu faça, meu bem, quando você olha para mim desse jeito teu tão penetrante, jeito de como se as mãos transparentes da tua alma atravessassem os olhos que são as totalitárias janelas do corpo, e tocassem meu coração com esmero e serenidade? O que esperas que eu faça quando você me mima feito boneca, enchendo-me de adjetivos que encabulam, “minha princesa”, “minha amada”, “minha paixão”, “minha deliciosa”, “minha, minha, minha”, agrados inesperados e palavras sussurradas no ouvido entre outros atos quentes… Será que esperas o que espera quando gaba-se sutilmente de tua inteligência e cultura, e assim quase competimos argumentos e petulâncias, mas sempre brincando? Desfechos indomesticáveis. Esperas que eu me entregue, que eu te queira apenas, e mais nada, é isso que você quer. Não estou preparada, ainda, para compartilhar aonde eu estou nas horas vagas e solitárias, não estou sempre disposta a atender todas as tuas insistentes ligações ou almoçar com você todos os dias da semana, eu não quero isso, não quero dar-te satisfações. Prefiro a nossa relação de mistério e inconstância, relação sem definição, sem base, sem início, meio, fim ou motivo. Te adoro porque nossas tardes não têm identidade, nossas conversas não tem razão, porque não precisamos discutir limites e queremos o bem um do outro sem propósito. Estar contigo é estar comigo mesma, e ao mesmo tempo com uma oposta personalidade que não se encaixa em meus conceitos, mas acrescenta-me novas idéias. Estar contigo é poesia, é dar risada por bobeiras deliciosas sem pensar no tempo, é comer pipoca doce com Coca-cola e subir na torre da Telepar para ver a cidade de cima. Estar contigo é enrolar um baseado (isso você não faz tão bem quanto eu, baby) e fumar no sofá da tua sala escutando música e conversando sobre o sentido da vida, despedirmos-nos com beijos intermináveis sem saber quando será o próximo encontro.
    É ausência de obrigações e compromissos, é poder também ter tempo para outras pessoas e por isso querer-te de novo. São dias para que sinta-se saudade, e então poder matá-la de maneira prazerosa, é tempo psicológico, é terna emoção. Por favor, entenda se eu quero tempo e espaço. Eu preciso. Mas não vá. Não suma, não se esconda, não sofra. 
    Eu estou aqui. Talvez não por inteira, estou parte. Há algo em teus lábios selvagens e ao mesmo tempo sensíveis, mas principalmente em teus braços queridos que me acolhem na energia mais louca que já estive envolta… Algo assim, que sempre me faz querer voltar. Quem sabe eu não acabo ficando?

“Eu tô ficando velha,Eu tô ficando louca……Pode falar, não me importaO que tenho de tortaEu tenho de felizEu vou cambaleandoDe perna bamba e solta…Nem vem tirar meu riso frouxoQue hoje eu passei batom vermelho…”                Fazer aniversário sexta-feira acontece de seis em seis anos, calculo eu na minha deplorável e penosa matemática, no entanto, soprar as dezesseis velinhas no tal esperado dia da semana só mesmo uma vez na vida de quem tem sorte. “O último dos quinze”. É o nome simples, nada pensado e iluminadamente espontâneo que dou à esse texto. Há 365 dias estava deitada no sofá assistindo o Jô, e exatamente ali, pobre de desconfianças, encontrava-me caminhando para o período mais turbulento, insensato e ao mesmo tempo, de mais auto-conhecimento da minha vida.                 No ano dos quinze me desdobrei em lágrimas, decepcionei-me, estive à beira de algum(ns) ataque(s) de nervos, mas também tive muito tempo para dar risada, sair, ver e rever amigos, pensar, comer, beber, escrever, assistir (muitos) filmes, compreender e descobrir tantas coisas que jamais pensei tocar, coisas tão bonitas que não haveriam-me palavras para descrever. Cavei subterfúgios, prometi e senti a arte crescer dentro de mim de modo que certos dialéticos jamais calculariam. Faço da ferida do ontem a frívola inviabilizada e perdida em algum lugar de mim, que por tanto desalinho que causou, terminou por dispersar-se em meus mares. No amanhã aborto estigmas, caio em sedas lisas de segurança profunda, quem sabe… Desacredito. Mas quero cor. Quero desejo. Que venha os dezesseis, e que venha com uma porrada de força, um gigantismo íntegro de paz, exagero de conhecimento e, principalmente, muito, mas muito amor. (Clichê-mor do blog, para não passar em branco.) 


Eu tô ficando velha,
Eu tô ficando louca…

…Pode falar, não me importa
O que tenho de torta
Eu tenho de feliz
Eu vou cambaleando
De perna bamba e solta

…Nem vem tirar meu riso frouxo
Que hoje eu passei batom vermelho…

                Fazer aniversário sexta-feira acontece de seis em seis anos, calculo eu na minha deplorável e penosa matemática, no entanto, soprar as dezesseis velinhas no tal esperado dia da semana só mesmo uma vez na vida de quem tem sorte. O último dos quinze. É o nome simples, nada pensado e iluminadamente espontâneo que dou à esse texto. Há 365 dias estava deitada no sofá assistindo o Jô, e exatamente ali, pobre de desconfianças, encontrava-me caminhando para o período mais turbulento, insensato e ao mesmo tempo, de mais auto-conhecimento da minha vida. 
                No ano dos quinze me desdobrei em lágrimas, decepcionei-me, estive à beira de algum(ns) ataque(s) de nervos, mas também tive muito tempo para dar risada, sair, ver e rever amigos, pensar, comer, beber, escrever, assistir (muitos) filmes, compreender e descobrir tantas coisas que jamais pensei tocar, coisas tão bonitas que não haveriam-me palavras para descrever. Cavei subterfúgios, prometi e senti a arte crescer dentro de mim de modo que certos dialéticos jamais calculariam. Faço da ferida do ontem a frívola inviabilizada e perdida em algum lugar de mim, que por tanto desalinho que causou, terminou por dispersar-se em meus mares. No amanhã aborto estigmas, caio em sedas lisas de segurança profunda, quem sabe… Desacredito. Mas quero cor. Quero desejo. Que venha os dezesseis, e que venha com uma porrada de força, um gigantismo íntegro de paz, exagero de conhecimento e, principalmente, muito, mas muito amor. 

(Clichê-mor do blog, para não passar em branco.)
 

Para não perder por aí…

Lista de filmes para alugar/baixar:

- O Artista
- Onde Andará Dulce Veiga?
- XXX
- Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças 
- Um Lugar Chamado Nothing Hill
- Quase Deuses
- Onde os Fracos não têm Vez
- Elefante
- Cidadão Kane
- Gilda
- Psicose
- Janela Indiscreta
- Gigi
- O cheiro do Ralo
- Luzes da Cidade
- Oito Minutos Dentro de uma Fotografia
- E o Vento Levou
- Um Corpo que Cai
- Entrevista com o Vampiro

Lista de filmes para REalugar/baixar: 

- Clube da Luta
- O Estigmata
- Ata-me!
- Núpcias de Escândalo
- Vicky Cristina Barcelona
- Último Tango em Paris
- Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos
- Entre Tinieblas
- Lua de Fel
- o Garoto
- Kika
- Profissão de Risco
- O Homem que Copiava
- Bicho de Sete Cabeças
- O Sol do Marmelo
- Biutiful
- O Amor nos Tempos do Cólera
- Rosário Tijeras
- Hugo Cabret
- Adeus, Lênin!
- Piaf
- Lolita (1962)
- Lolita (1997)
- Paris, Te Amo
- Meu Pé Esquerdo
- Cidade de Deus
- Os Vigaristas
- Janis & John
- Havoc
- Abraços Partidos
- Perfume de Mulher
- Edward Mãos de Tesoura
- Tommy, Can You Hear Me?
- Antes do Amanhecer
- Dirty Pretty Things
- A Lei do Desejo 

A arte é o preencher das extremidades. O desmanchar do corpo em ofícios vermelhos e o transcender da alma vazia ao infinito lancinante da eternidade.
Como fantasia impactante que encorpora sede e esperança, existe para não morrermos de realidade. A arte vem de dentro, está no peito, nos punhos, na garganta, na solidão, na imagem, na amargura e no mais doce mel dos tempos, dos dias últimos, angústias últimas, medos últimos, lembranças e sabores deliciosamente últimos. A arte é tudo. É força. É vida. É observar. Ela proíbe o proibir. 
A arte é o DESABAR DO SER DA CABEÇA AOS CALCANHARES…

A arte é o preencher das extremidades. O desmanchar do corpo em ofícios vermelhos e o transcender da alma vazia ao infinito lancinante da eternidade.

Como fantasia impactante que encorpora sede e esperança, existe para não morrermos de realidade. A arte vem de dentro, está no peito, nos punhos, na garganta, na solidão, na imagem, na amargura e no mais doce mel dos tempos, dos dias últimos, angústias últimas, medos últimos, lembranças e sabores deliciosamente últimos. A arte é tudo. É força. É vida. É observar. Ela proíbe o proibir.

A arte é o DESABAR DO SER DA CABEÇA AOS CALCANHARES…

(Source: conexao-jamaica, via considerthishippie)

(Chico, Tom e Vinícius)

(Chico, Tom e Vinícius)

              Número 191 da Vila Guaíra, à esquerda da mercearia amarela: Por detrás do portão branco, um imenso e suculento pé de romãs. Pois lhe digo que se meus olhos tirassem fotos… Não haveria essa quentura no peito e ao mesmo tempo o dolorífico atravessar de cento e vinte agulhas fincadas na pele, ao recordar-me da infância de pálpebras cerradas… Buscando no sem fim do tempo e no escorregar da sobriedade, o cheiro do almoço da vizinha mau humorada e o barulho quebradiço das cascas dos caracóis, quando sem querer pisava em um e saía a correr dando pulinhos com a sola do pé melada. Amavelmente gostosa era aquela janela do quarto de sentar com os joelhos para fora e dar bom dia ao dia e ao Sol e à quem ali passasse.
            Tempo em que não existiam-me calçados, luxos, verdades, amores. Pequena mirabolante dos cinco gatos, um pote de requeijão para comer de colher e o esconderijo secreto das tardes frias.
            Mundo meu. Mundo indivisível. Impenetrável.

             Há de sempre chegar o dia em que nos questionamos sobre nós mesmos. Engano efêmero ou perpétuo cativeiro esse meu jeito torto de ser que emana surrealismo e melancolia? Que será dos meus quarenta e tantos anos, ou mesmo do amanhã? Estarei eu em outra dimensão, sobrecarregada de outros pesos na companhia de meus quatorze ou nove gatos? Ou estarei colecionando palavras ao lado de meu amor impossível e escrevendo pelo mundo, finalmente completa? Estarei a sorrir, a chorar, estarei eu morta? Serei eu eternamente bela? Uma faca de dois gumes, o amor e o medo da completa loucura desdobrando-se simultaneamente e me engolindo às oito e meia da noite sem pé nem cabeça, sem lógica qualquer.
         
           Feliz, feliz, realizada, sonho e percebo que devo chegar ao esqueleto da vida já comida por traças, ferida pelas irresponsabilidades, as paixões pelos homens mais velhos, as perdas sucessivas e o nunca desprender das entranhas que me assustam. De qualquer maneira, mantenho-me viva e respiro o ar da noite como quem faminto devora um prato cheio, desejo a vida em seu precioso cerne como um bicho instintivo que cuida do filhote e desrespeita os próprios limites. Se tanto sinto, é porque há motivo. Perdoem-me pela quantidade inexpressável de sinestesia, solidão e dor entulhada que aqui descarrego. Creio que o tempo é capaz de corrigir posturas e falhas e que por trás da pele, há em mim uma criatura insaciável, saturada, criatura de muitos anos. Talvez um dia ainda cale os gritos que aqui ecoam. Na pintura. No amor. No nada. Creio, pois passamos a vida atrás de resposta e segurança e um dia elas hei de chegar.  

         ”Minha menininha…”, ele sussurrava em meu ouvido com seu timbre inesquecivelmente forte e aveludado. “Tão novinha, tão doce e amada…” e passava a mão pelos meus cabelos olhando-me dentro dos olhos, dentro da alma. Não me esqueço do constante cheiro de fumo das suas mãos misturando-se ao perfume de todo o resto do corpo, ou do jeito que prendíamos nossas pernas, sedas apertadas num nó triplo e agarradamente impossíveis de se desfazer. 
Quantas clandestinas tardes chuvosas passamos o tempo na tua solitária quitinete, ouvindo repetidas vezes o LP da Piaff, fazendo sanduíches sublimes e amando, confessando, contando histórias? Meu amor macio, qualquer dia eu apareço. Não sei quando, nem como, mas de surpresa eu apareço…  Pois assim é como me dou conta, sumindo, voltando, vivendo, errando, hora sem medo, hora esmagada de temor. Porra louca? Talvez… Não pense como todos. 
   
         Sou, apenas, e prefiro ser intensamente ao aproximar-me do final cinzento acuada e perplexa por ter cortado minhas raízes e não ter sido… 

Os dois lados da mesma faceBrasilPátria minha, minha casaTeus poetas versejam noites de amorE teus conflitos que fazem dos nossos pobres homens os reféns pávidos das maiores forças Erguem-se em caraminholas de um cinza escuro e dorQue mal vivam os injustos que extorquiram minha terra, e os que enchem as bocas de pouquidão para falar daqui Sublimo o cansaço dos nossos homensNo samba de raíz e no calor alviverdeNo delicioso feijão diário e na monstruosidade da força que corre em meu sangue vermelho Como dizia Vinícius, “Vontade de beijar os olhos de minha pátriaDe niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…”Então sonho eu com a branca neve do estrangeiro, o delicioso vinho das esquinas e as línguas entonadamente enigmáticasNão.Não vivo longe de minha pátria, lá sou fruto de terras frias?Sou amante e brasileira Sou Pagu e Oiticica, Tropicália e Bossa Nova, Bethania a recitarSou Chico e BoemiaSou entregue às alegriasE ao fervor deste lugar.

Os dois lados da mesma face


Brasil
Pátria minha, minha casa

Teus poetas versejam noites de amor
E teus conflitos que fazem dos nossos pobres homens os reféns pávidos das maiores forças 
Erguem-se em caraminholas de um cinza escuro e dor
Que mal vivam os injustos que extorquiram minha terra, e os que enchem as bocas de pouquidão para falar daqui
Sublimo o cansaço dos nossos homens

No samba de raíz e no calor alviverde
No delicioso feijão diário e na monstruosidade da força que corre em meu sangue vermelho 
Como dizia Vinícius, Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Então sonho eu com a branca neve do estrangeiro, o delicioso vinho das esquinas e as línguas entonadamente enigmáticas

Não.
Não vivo longe de minha pátria, lá sou fruto de terras frias?
Sou amante e brasileira 
Sou Pagu e Oiticica, Tropicália e Bossa Nova, Bethania a recitar
Sou Chico e Boemia
Sou entregue às alegrias
E ao fervor deste lugar.

     Olhos morteiros carregados de lábia e libido fatal, olhos teus. Onde te perdes, me encontro, encontro nós dois, a garrafa de Pinot Noir chegando ao fim, luzes de velas, madrugada, almas insanamente insaciáveis. Encontro o luar de fel entre as árvores nuas dos nossos espaços vazios, e o agora e o depois cobertos da equidade quase incompreensível de nossos pensamentos e temores que jorram inoportunamente. Onde aterrissas, te puxo para o alto, te calo a inquietude, te amarro em mim e domino em silêncio. Amor voraz sem calma e sem pudor, sem tempo para respirar. Amor que venda os olhos e os juízos e desvenda as vergonhas e epifanias. Pele minha branca sobre pele tua escura, como energia fugaz que se mistura. Penumbra aconchegante, ao som sublime e lisérgico de Miles Davis, apenas, somos animais agressivos, luxúria, prazer lancinante, momento interminável. Estrada de sincronia, batimentos apressados, cores jamais vistas, estrada que faz transcender. 

     Descanso em teus braços, queima o cigarro, a dor e o cansaço. Queima a eterna mania de fuga, os olhares desviados e épocas opacas. Te acho tão bonito… 

     Por um instante não existo, não entendo, não me engano. 
     A você, secretamente. Jamais lerás. 

Sobre você
          Que não vai ler 

A bagunça dos meus versos
     Que não seguem regras
                       CÁLCULOS
                      RETAS


LEIS:
          Sobre mim
Sobre nós       Sobre eles
         Sobre todos.
             (…estou cansada…)

Retinas rendidas 
        Sorrisos abertos
Anos a fio
Tiros de flecha,
        Para você,
 

   Que vai nascer
        Que vai      c r e s c e r
Que vai morrer